Crise na Caixa: uso de FGTS para socorrer banco causa racha no governo
O afastamento de quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal por suspeita de corrupção e irregularidades pode inviabilizar o socorro de R$ 15 bilhões ao banco estatal com recursos do FGTS. Fontes do Ministério da Fazenda garantem que a operação não vai sair. A equipe econômica terá de enfrentar, no entanto, a pressão da ala política do governo, que defende o uso do dinheiro dos trabalhadores para que o banco reforce a concessão de crédito em ano eleitoral. Se a medida for adiante, é esperada uma crise no governo. A operação já sofria resistência da Fazenda, mas a crise de gestão se agravou com os desdobramentos da investigação que acusa os executivos de banco de suspeita de corrupção. Na terça-feira, o presidente Michel Temer se viu obrigado a afastar os vice-presidentes, seguindo recomendação do Ministério Público Federal e do Banco Central. Apesar da pressão política, o entendimento é que ficará muito difícil para o governo sustentar uma capitalização bilionária com dinheiro dos trabalhadores em meio à polêmica envolvendo o comando do banco. Um dos vice-presidentes afastados, Deusdina dos Reis Pereira, era a O Conselho Curador do FGTS é composto por 12 representantes do governo, seis dos sindicatos e mais seis de associações patronais. A capitalização ainda depende de análise do Tribunal de Contas da União (TCU), conforme acordo firmado pelo próprio presidente do banco, Gilberto Occhi. O socorro do Fundo de Garantia é tão delicado que fontes informaram que o BC entrou em campo e pediu ao TCU para ingressar como parte interessada no processo. Com isso, o BC poderá ter acesso a todos os passos da investigação do tribunal. Sem o recurso do FGTS, a equipe econômica estuda alternativas para aumentar o capital da Caixa. Redução de despesas com pessoal e com plano de saúde dos funcionários está entre as medidas em análise. A venda de carteiras de empréstimos que não são o foco do banco também está no radar. Uma abertura de capital da Caixa na Bolsa de Valores não está descartada. O novo estatuto social do banco deve ser aprovado nesta sexta-feira (19). Regras internacionais Os aliados de Temer, por sua vez, querem a Caixa “bombando” o crédito em ano eleitoral. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que a instituição “analisa todas as alternativas” para resolver o problema de capital da Caixa. Segundo ele, a operação em análise com o FGTS não é a mesma feita por outras instituições que emitiram “títulos perpétuos”. Internamente, o Tesouro é contrário à operação porque vê um precedente perigoso para outras transações semelhantes. Ministério da Fazenda e BC não quiseram se pronunciar oficialmente. O procurador do Ministério Público no TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, também já fez diversas ressalvas à capitalização com recursos do FGTS. Ele foi o autor da representação que originou a investigação do tribunal. O ministro das Cidades, Alexandre Baldy defende a operação. “A Caixa é fundamental para o Ministério realizar as políticas públicas nas áreas de saneamento, mobilidade e habitação.” (Fonte: Estadão) |
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representante da Caixa no Conselho Curador do FGTS e poderia votar a favor da operação, autorizada em lei aprovada de forma relâmpago no fim do ano passado pelo Congresso.