Gasolina vendida no Brasil é a segunda mais cara do mundo. Entenda o porquê
Entre os 15 maiores produtores de petróleo, Brasil só perde para Noruega quando o assunto é o alto preço do combustível. Carga tributária e monopólio da Petrobras são algumas das causas Encher o tanque com gasolina nos postos brasileiros tem significado, nos últimos meses, um peso significativo no bolso dos motoristas. E o preço salgado não é por acaso: o valor praticado no Brasil é um dos recordistas no mercado mundial. De acordo dados da empresa de consultoria Air-Inc, o preço nos postos O dado chama mais a atenção quando se compara o preço praticado nos postos daqui ao que vigora na Venezuela, por exemplo. No vizinho sul-americano, com apenas US$ 0,001 é possível comprar um litro de gasolina. O caso venezuelano é extremo, mas, em outros países, o valor de um litro de gasolina também é inferior ao encontrado no Brasil (veja mais no infográfico). No caso dos EUA, é possível encher o tanque de um carro popular, com 40 litros de gasolina, por US$ 24,80 ou R$ 81,80 – bem longe dos R$ 176,80 brasileiros. Ingredientes para o preço alto Outro aspecto que encarece o combustível é a concentração de mercado em várias etapas da cadeia produtiva. Se soma à hegemonia da Petrobras no que diz respeito à exploração e ao refino da gasolina – com custos que, de acordo com Suriane, não são divulgados de forma transparente –, a distribuição também concentrada em poucas empresas. “Além disso, na estrutura final da cadeia, os postos, ocorre a prática de cartel em algumas cidades”, diz o economista. Walter De Vitto, analista de energia e petróleo da Tendências Consultoria, de São Paulo, adiciona mais um ingrediente à receita para os preços altos: os impostos. Sobre a gasolina incidem tributos federais (Cide,PIS/Pasep e Cofins) e estaduais (ICMS). “Se compararmos o Brasil com outros países, o que mais nos diferencia na questão da gasolina é a carga tributária muito alta”, afirma. Com todas essas questões, mesmo quando o preço baixa nas refinarias, muitas vezes a redução não é sentida de forma imediata pelo consumidor final. “O que costumamos dizer é que o preço sobe de elevador, mas desce de escada. Quando há uma queda na refinaria, a redução demora um pouco mais para acontecer nos postos”, explica De Vitto. As soluções para o problema, entretanto, não são simples. No caso da concentração de mercado, por exemplo, o entrave é o alto valor dos investimentos para que uma empresa possa entrar no setor. “É uma aposta muito alta, porque o lucro não é certo. Obter ganhos no curto prazo é pouco provável”, diz Suriane. Além disso, ele afirma que o fato dos preços, no Brasil, serem controlados pelo governo complica ainda mais o cenário. “Essa configuração torna o mercado menos atrativo para as empresas que desejam investir”, afirma o economista. Gasolina salgada |
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daqui – de US$ 1,34 por litro, o equivalente a R$ 4,42 com câmbio de R$ 3,30 – é o segundo mais caro entre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo. A gasolina brasileira só perde para a da Noruega, onde o preço é ainda mais salgado, chegando a quase US$ 1,90 por litro.