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29/10/2026

Lula avalia mudanças no comando do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal

Tarciana Medeiros deve deixar a presidência do BB, enquanto permanência de Carlos Vieira na Caixa dependerá de articulações políticas (Por Otávio Rosso) - imagem gerada por IA -

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia substituir os dirigentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal durante a reorganização do governo para o novo mandato. A possibilidade de mudanças nas duas instituições financeiras está sendo discutida paralelamente à formação da equipe ministerial e às negociações para a construção de uma base de apoio no Congresso Nacional.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (28), integrantes do Executivo consideram praticamente certa a saída de Tarciana Medeiros da presidência do Banco do Brasil. Já a continuidade de Carlos Vieira à frente da Caixa dependerá de uma decisão política de Lula, diante da necessidade de ampliar a sustentação parlamentar do governo.

Tarciana Medeiros deve deixar o Banco do Brasil
À frente do Banco do Brasil desde janeiro de 2023, Tarciana Medeiros enfrenta um cenário de deterioração dos resultados financeiros da instituição. A redução da lucratividade é apontada como um dos fatores que pesam contra sua permanência, embora integrantes do governo também considerem natural uma renovação no comando do banco no início de um novo mandato presidencial.

A legislação em vigor atribui ao presidente da República a escolha de quem ocupará a presidência do Banco do Brasil, o que permite a Lula promover a substituição independentemente de negociações com partidos aliados.

Apesar da provável saída, Tarciana poderá continuar integrando a administração federal. Próxima da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, a executiva é considerada para assumir uma função em algum ministério da área social.

Os resultados recentes do Banco do Brasil ajudam a explicar o cenário. Em 2025, a instituição registrou lucro de R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% em comparação com 2024, ano em que havia alcançado o maior lucro de sua história.

O desempenho foi afetado principalmente pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pela implementação de novas normas contábeis.

A redução dos resultados continuou em 2026. No primeiro semestre, o lucro líquido ajustado do banco atingiu R$ 7,3 bilhões, retração de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No segundo trimestre, houve uma recuperação de 3,3%, com lucro de R$ 3,9 bilhões. O crescimento, entretanto, ocorreu sobre uma base de comparação reduzida, uma vez que o resultado do mesmo trimestre de 2025 havia apresentado queda de 60%.

Em maio, o Banco do Brasil também revisou para baixo suas expectativas de lucro para 2026. A projeção, anteriormente situada entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, passou para uma faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.

Procurado pelo jornal, o Banco do Brasil não comentou as informações sobre uma possível substituição de sua presidente.

Permanência de Carlos Vieira na Caixa depende de articulações
A situação da Caixa Econômica Federal envolve diretamente as articulações políticas para o próximo mandato. Carlos Vieira, que ocupa a presidência da instituição há quase três anos, chegou ao cargo por indicação de Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara dos Deputados.

Lira foi eleito senador por Alagoas nas eleições de 4 de outubro, mas não apoiou a candidatura de Lula à Presidência da República. Esse distanciamento político coloca em discussão a manutenção de Vieira no comando do banco público.

Lula tem uma avaliação positiva da gestão do atual presidente da Caixa. Entretanto, sua permanência dependeria de uma escolha pessoal do chefe do Executivo, e não da preservação da indicação política que originalmente o levou ao cargo.

A decisão também será influenciada pela necessidade de construir uma base parlamentar capaz de garantir a governabilidade. O cenário previsto para a próxima legislatura é considerado mais adverso pelo governo, o que aumenta a importância das negociações com diferentes forças políticas do Congresso.

Nesse contexto, os postos de direção das instituições financeiras poderão integrar as conversas com partidos e parlamentares. Além das presidências do Banco do Brasil e da Caixa, o Executivo considera a possibilidade de negociar vice-presidências das duas instituições.

A distribuição desses espaços poderá ser utilizada na composição política do novo governo, sem que isso signifique necessariamente a substituição de todos os atuais dirigentes.

A Caixa Econômica Federal também foi procurada por O Globo, mas não comentou a possibilidade de mudanças em sua administração.

Correios e Petrobras devem manter atuais presidentes
Enquanto o comando dos dois bancos públicos está sob avaliação, a tendência no governo é preservar as atuais direções dos Correios e da Petrobras.

Nos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon deve continuar à frente da estatal. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, ele assumiu a presidência da empresa em setembro de 2025, com a responsabilidade de implementar um plano de reestruturação.

A permanência é favorecida pela avaliação de que sua nomeação teve caráter técnico. Outro fator considerado pelo governo é o menor interesse de grupos políticos em assumir o comando dos Correios, diferentemente do que ocorre com as instituições financeiras federais.

Na Petrobras, a expectativa também é de continuidade. Magda Chambriard, que preside a companhia desde maio de 2024, deverá ser mantida no cargo. A executiva foi escolhida diretamente por Lula para substituir Jean Paul Prates, em uma decisão tomada durante o atual mandato presidencial. (Fonte: Brasil247)

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