“O HSBC era a última cerejinha do bolo”
Leia entrevista com Octavio de Lazari Junior, o novo presidente-executivo do Bradesco Sua missão é renovar o legado dos seus três históricos antecessores – Amador Aguiar, Lázaro de Mello Brandão e Trabuco –, conquistando os clientes da geração digital sem descuidar daqueles que frequentam as agências e garantem o ganha-pão da empresa. “Não existe bala de prata”, afirmou Lazari à DINHEIRO, pouco depois de ter seu nome confirmado. Confira a íntegra da entrevista a Milton Gamez: Quais são seus planos à frente do Bradesco? Como vai dirigir a transição para o novo mundo digital? Um fato é primordial. Minha obrigação, meu compromisso, não é nem dar continuidade ao legado do seu Aguiar, do seu Brandão, do seu Trabuco, mas renovar esse espírito de legado, esse espírito de crescimento e de liderança de meus antecessores. E, a partir daí, fazer o trabalho que precisa ser feito. Não há uma bala de prata, há uma série de coisas para fazer. Por exemplo? Falamos muito do mundo digital, que é inexorável e absolutamente necessário, mas todo dia, quando abrimos as nossas agências e nossos mais de 10 mil pontos de atendimento, convivemos com quatro gerações de pessoas. Todo dia convivemos com os baby boomers, a geração X, a geração Y, a geração Z. Então, temos que entregar conveniência e ter atendimento adequado para todas essas gerações. Ser digital sem abrir mão do relacionamento, é isso? Não abrimos mão do relacionamento. É isso o que pereniza o banco. Um amigo me disse que o Bradesco não é um marketplace (shopping virtual). Isso é verdade. Banco é relacionamento. Ninguém troca de banco todo dia, toda semana, todo mês. As pessoas querem ter um banco em que podem confiar e ter suas necessidades atendidas por muito tempo. Trocar de banco não é fácil. Por isso, os pilares de pessoas, tecnologia e relacionamento são fundamentais na nossa história. Faz sentido manter uma rede de agências físicas deste tamanho? Mas não abrimos mão da presença física das nossas agências. Aonde precisa ter, continuaremos a ter. Ela é um ponto de referência, um ponto de encontro de nossos clientes. Temos que pensar na digitalização e no atendimento digital, por isso temos plataformas digitais para atender os clientes que preferem fazer as coisas e falar com seus consultores por telefone. Temos o banco Next, para os clientes – talvez os milennials – que queiram fazer uma jornada absolutamente digital, sem ter que conversar com uma pessoa ou ir a algum lugar físico. Mas sempre tem quem gosta de ir pessoalmente conversar com seu gerente, fazer sua aplicação e ouvir conselhos sobre o melhor investimento. As agências de bancos são uma vantagem competitiva, a única coisa que temos de fazer é adequá-las conforme as necessidades que a gente vai ter num futuro próximo. Como convencer um cliente milennial de que o Bradesco é um banco adequado para ele, já que é um banco com um pé firme no mundo real, na vida das empresas e das pessoas? Qual é a linguagem para atraí-lo? Temos isso bem resolvido, com a solução para esse millenial. Mas se um dia ele começar a trabalhar numa empresa, precisar fazer um crédito imobiliário e tiver dúvidas, ele pode passar numa agência para conversar. É essa complementariedade que temos que dar para os clientes. Atendê-lo no sofá da casa dele ou na agência. Temos quatro gerações fazendo algum contato com o banco, todos os dias. É preciso entender essa flutuação. Cada cliente é um ser único, temos de ter essa sabedoria. Quais são as áreas de negócios que o sr. vai prestar mais atenção agora? Vai haver mudança ou foco específico em algum flanco em que o banco esteja descoberto em relação à concorrência? Quer dizer que agora o Trabuco vai aumentar a cobrança em cima do sr. para ganhar clientes? Qual será sua primeira medida como presidente do banco? O Bradesco fez uma grande aquisição no ano passado, o HSBC, por R$ 16 bilhões. Como está o radar para novas compras? Nesse caso, para passar o Itaú, vocês vão ter que trabalhar dobrado? O sr. está otimista com a economia? 2018 é um ano de transição, de reformas que não passam. Como está vendo esse cenário? Então, sob certos aspectos da estrutura, estamos bem. A gente já vê recuperação em certos setores da economia, as empresas voltam a contratar, a expectativa que temos é de mais de 1,5 milhão de novos empregos em 2018. Acho que a agenda de consenso está instalada, quer seja neste ou naquele governo, com esta ou aquela pessoa. Essa agenda positiva não vai mudar. Há consenso de que as reformas são necessárias, que é preciso reduzir o déficit público. Ninguém no Brasil tem dúvidas de que isso possa acontecer. Então, a minha expectativa é até otimista para a gente começar um ciclo de crescimento. Não vai ser um ciclo de crescimento muito acelerado, mas não importa. A gente não quer crescimento acelerado, preferimos um crescimento menor, mas contínuo. É isso que vai fazer o Brasil ir se ajeitando ao longo do tempo, seja na politica fiscal, na monetária, em todos os aspectos. Há sinais de retomada nos indicadores industriais. As empresas estão realmente voltando a investir? |
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no passado, fechamos mais de 500 agências. Tinha muita agência sobreposta, fechamos algumas, mantivemos outras e até abrimos outras. Com a evolução da tecnologia, não precisamos de agências tão grandes como antes, com 1.500 ou 2.000 metros quadrados. Elas podem ser menores.