Perdas da poupança: voto no STJ favorece poupadores e pode duplicar indenização
Perdas da poupança: voto no STJ favorece poupadores e pode duplicar indenização No último dia 13, o ministro relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) apresentou voto positivo para os correntistas de cadernetas de poupança prejudicados com mudanças nos planos econômicos Bresser, Verão e Collor. Pessoas que participam da negociação entre bancos, governo federal e representantes dos poupadores já estimam que o valor total de um acordo possa agora resultar em pagamento de R$ 18 a R$ 26 bilhões para os poupadores, um tanto acima dos R$ 11 bilhões estimados em julho. A Frente Brasileira pelos Poupadores (Febrapo), que representa os correntistas das cadernetas, comemorou o posicionamento do ministro Raul Araújo, relator do processo, na 2ª Seção do STJ. Isso porque em seu voto, com 83 páginas, Araújo reconheceu a legitimidade das ações sobre os expurgos inflacionários e decidiu que os bancos devem ressarcir essas perdas, mesmo aos poupadores não filiados a associações à época da propositura da ação. O voto favorável do relator no STJ fortalece os poupadores, que ganham peso na mesa de negociação perante os bancos em tentativa de acordo que está sendo mediada pela Advocacia-Geral da União (AGU). Com isso, pontos que ainda são incertos na negociação podem pender favoravelmente aos poupadores, como sobre parcelamentos dos pagamentos, descontos no valor total, multas e questões como o pagamento a herdeiros em caso de morte dos titulares das contas. Ainda é incerto o prazo para um desfecho ao processo no STJ. Após Araújo p “Se tinha algum ministro que estava pensando em votar contra, agora terá de buscar muito embasamento. O relator enfrentou a fundo a questão da legitimidade. Pegou todos os processualistas que tratam do tema. Ele foi a fundo tanto na doutrina como na jurisprudência”, avalia o presidente de Febrapo, Estevan Pegoraro, que avalia que será difícil que outros ministros contraditem o voto do relator. “O pedido de vista é normal em um julgamento dessa complexidade. O ministro Raul Araújo, para elaborar o voto com robustez e enriquecimento que trouxe ao caso, levou um bom tempo. Acho natural e até esperado que algum ministro pedisse vista para se aprofundar. Não sei quanto tempo o ministro vai demorar para liberar o voto, mas tenho absoluta certeza que é muito difícil os outros ministros não seguirem o relator”, afirmou Pegoraro. Quem tem direito aos valores Esse é o argumento dos bancos, representados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para que seja reduzido o valor total que os bancos terão de devolver aos poupadores, pagando apenas àqueles que era afiliados a associações que ingressaram com ações por reparações quando as ações foram iniciadas na Justiça. Também como forma de afastar entendimentos de que o ideal era aguardar que o STF decidisse sobre a necessidade de filiação a entidades, os poupadores apresentaram aos ministros vídeo com voto do ministro Marco Aurélio Mello em outra ação, na qual deixava claro que em casos de ação ordinária, e não ação civil pública, não seria necessária a associação a entidades para que o pleito fosse válido. A tese contrária era defendida pelos bancos, e tanto o voto do relator como a evidência de que ministro do STF já se pronunciou sobre o tema enfraqueceria a defesa dos bancos. Voto do relator ajuda em acordo, avaliam poupadores “O fato do pedido de vista reabre a possibilidade de voltarmos a negociar um acordo na AGU. Com pedido de vista, pode-se reabrir possibilidade de remarcar reunião de acordo. Se ela for marcada para as próximas semanas, em mais algumas reuniões podemos ter o desfecho”, avalia Pegoraro. A Segunda Seção so STJ se reúne duas vezes por mês – na segunda e na quarta quartas-feiras do mês. Mas é incerto quando o ministro que pediu vista pautará a sequência do julgamento. Procurada, a Febraban afirmou que “não comenta o assunto”. (Fonte: Gazeta do Povo) |
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roferir seu voto, o ministro Ricardo Villas Boas Cueva pediu vista e não há data para o tema voltar à pauta. Porém, os poupadores consideram que o voto foi “robusto”, com embasamento em outros casos já julgados e também na teoria do Direito para reconhecer a validade do pleito dos poupadores.