Reformas da Paranaprevidência foram um “assalto”, diz procurador
Reformas da Paranaprevidência foram um “assalto”, diz procurador
Gabriel Guy Léger, procurador do Ministério Público de Contas do Paraná , afirma que, no modelo atual, não haverá recursos para bancar aposentadorias a partir de 2047 (Rosana Felix)
A mudança mais recente na Paranaprevidência, que culminou na batalha do Centro Cívico e descapitalizou o fundo em R$ 3,8 bilhões, prejudicou intensamente sua sustentabilidade, mas não foi a intervenção mais grave que o sistema enfrentou. Na opinião do procurador do Ministério Público de Contas do Paraná Gabriel Guy Léger, sucessivas mudanças promovidas em diferentes governos explicam a insolvência do fundo, que não terá nenhum centavo para pagar aposentadorias a partir de 2047, caso seja mantido o modelo atual.
Segundo Léger, o que tem ocorrido é um “roubo” aos recursos previdenciários. “Não precisa ser a mão armada para ser roubado. Temos aqui o caso de um assalto a mão legislativa”, afirmou, durante palestra em um seminário sobre previdência, organizado pelo sindicato dos servidores do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e pela federação nacional da categoria.
O procurador afirma que o TCE tem feito seu papel de fiscalização, mas que fica de mãos amarradas porque as intervenções que prejudicam o fundo são aprovadas pelos deputados estaduais. “O tribunal se pauta pela lei, não pode desconsiderar o panorama legislativo estadual. Há uma violação à modelagem constitucional, e há muitas ações questionando isso no Supremo, mas, como o Supremo está atribulado com outras coisas, não as julga”, relata.
De todas as intervenções na Paranaprevidência, Léger aponta três que considera mais grave, ressaltando que é sua opinião como procurador, não do TCE. “Em primeiro está a falta de composição d
o fundo de previdência com a paridade de, vamos simplificar, 10% cota patronal, 10% servidores. Ou seja, 20% da folha seria para compor um fundo de previdência. Nunca foi feito”, conta. Ele critica a previsão de o governo aumentar a alíquota até 20% nos próximos anos, considerando que não conseguiu contribuir nem com 10%.
Em segundo lugar está a negociação que o governo de Jaime Lerner fez em 2000, quando antecipou a receita de 20 anos dos royalties de Itaipu e usou para capitalizar o fundo. “A negociação não foi economicamente vantajosa para o estado, que trocou os 20 anos para receber em 15 anos, mas abriu mão de 53% do valor”, apontou.
Ou seja, ganhou cinco anos, mas recebeu só metade do que teria direito. “Além disso, o estado passou a considerar esse pagamento de royalties como se fosse a cota patronal. Não passou a cota patronal. Aquilo que deveria ser receita extraordinária para formar uma poupança só compensou o débito do governo”, acrescentou.
Por fim o procurador cita as mudanças promovidas em 2015 pela gestão de Beto Richa. “A segregação de massas em 2012 já tinha sido ruim, mas a de 2015 foi a mais prejudicial.” A segregação de massas prevê a separação dos segurados em dois grupos distintos, um coberto pelo fundo financeiro e outro pelo fundo previdenciário.
O que é questionado é que a Lei Estadual nº 18.469/2015 transferiu do Fundo Financeiro para o Previdenciário 33,5 mil inativos que até então eram pagos pelo Tesouro. O governo então deixou de aportar na previdência os valores correspondentes a esses funcionários e passou a sacar cerca de R$ 145 milhões da Paranaprevidência, com data retroativa a janeiro de 2015. Essa operação é que “derreteu” o patrimônio do sistema em R$ 3,8 bilhões, segundo cálculo do consultor Renato Follador, um dos idealizadores do órgão criado em 1998.
Paranaprevidência diz que mudanças legislativas reforçarão caixa
A respeito das previsões que apontam que não haverá dinheiro para pagar aposentadorias em 30 anos, a direção da Paranaprevidência destacou que as mudanças aprovadas em 2012 e 2015 preveem recursos ordinários e extraordinários no futuro para reforçar o caixa. “A partir de 2030, o estado fará o aporte de 1% do total mensal da folha de pagamentos do Fundo de Previdência, acrescido de mais 1% ao ano a partir de 2031, até o limite de 22% de 2051 em diante.
O governo do estado também assumiu compromisso de pagamento de uma alíquota progressiva para o Fundo de Previdência”, diz nota enviada à reportagem. Atualmente, a alíquota do estado é de 16,5%. “O estado vai, progressivamente, chegar ao repasse de 22%, assegurando recursos necessários para o pagamento de benefícios no futuro.”
Além disso, há previsão de destinar em 2020 R$ 1 bilhão dos royalties de Itaipu para a Paranaprevidência. “Além disso, há uma obrigação legal, prevista pela constituição, de que o estado tem que fazer os aportes necessários sempre que seja preciso garantir o equilíbrio do Fundo de Previdência ou para assegurar o pagamento das aposentadorias e pensões de seus servidores”, finaliza a nota. (Fonte: Gazeta do Povo)
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