‘Retomada’ estimula troca de emprego; Brasil deve criar 1 milhão de vagas formais em 2018
Embora os analistas estejam otimistas, eles estão mais cautelosos que a equipe econômica de Temer quanto ao mercado neste ano Sem chances de crescer profissionalmente na empresa em que trabalhava, o administrador Flávio Caires, de 30 anos, decidiu trocar de emprego, apesar de a recuperação econômica do País ainda não ter se consolidado. Mandou currículos e esperou seis meses até que a oportunidade ideal aparecesse. No início de dezembro, deixou uma montadora para trabalhar em uma indústria do setor de bebidas. "Juntei a fome com a vontade de comer. Senti que o mercado de trabalho voltou a aquecer e comecei a mandar meu currículo para algumas oportunidades que apareciam", diz Caires. "Foram seis meses procurando e agora calhou de encontrar a oportunidade que eu queria." Os sinais ainda tímidos de melhora do mercado de trabalho mostram que Caires não está sozinho. Entre janeiro e novembro do ano passado, o porcentual dos brasileiros que se desligou das empresas e trocou de emprego por decisão própria aumentou. No período, 21,3% dos desligamentos registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram espontâneos. No mesmo período de 2016, foram 19,7%. O aumento dessa fatia de brasileiros que pede demissão de forma espontânea pode parecer pequeno, mas marca uma importante reversão. Desde 2013, o desligamento voluntário estava em queda. Na outra ponta, o porcentual dos brasileiros dispensados — com ou sem justa causa — recuou de 64,2% entre janeiro e novembro de 2016 para 62,3% em 2017. Os dados levam em conta apenas os trabalhadores com carteira de trabalho. "O que se espera é que com o aquecimento da economia ocorra, de fato, o aumento dos desligamentos voluntários. Com a economia crescendo mais, o trabalhador pode correr o risco de mudar de emprego", diz o professor do Insper Sérgio Firpo.
País deve criar 1 milhão de vagas formais em 2018 Na projeção da Tendências Consultoria Integrada, o saldo positivo do Caged deve ficar em 1 milhão de vagas neste ano. Para a Pnad Contínua, a previsão é que a taxa média de desemprego fique em 12,4%, abaixo dos 12,7% esperados para 2017. A explicação para uma queda tímida na Pnad Contínua decorre do movimento esperado de aumento da População Econômica Ativa (PEA). Com a melhora da economia, mais brasileiros devem voltar a buscar emprego, o que limita o recuo da taxa de desemprego. O cenário do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) para a taxa de desemprego é igual ao da Tendências: desocupação média de 12,4% e 11,5% no último trimestre. "Há boa chance de o mercado de trabalho surpreender este ano", diz o pesquisador do Ibre/FGV Fernando de Holanda Barbosa Filho. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem visão mais otimista que a de especialistas consultados. Ele disse ontem que serão criadas cerca de 2,5 milhões de vagas formais em 2018. Segundo o ministro, a "continuada divulgação" de bons indicadores da economia mostrará à população que o crescimento econômico seguirá, independentemente do rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Outros sinais de melhora no mercado de trabalho Até novembro, o Brasil criou quase 300 mil vagas formais de trabalho em 2017, de acordo com o Caged. No mesmo período de 2016, foram fechados 858 mil postos. Pela Pnad Contínua — que engloba trabalhadores formais e informais —, a taxa de desocupação foi de 12% no trimestre encerrado em novembro, um resultado inferior ao verificado no trimestre imediatamente anterior (12,6%). Outro sinal de que o mercado de trabalho dá sinais de recuperação de fôlego pode ser medido pela taxa de rotatividade, que costuma ser pró-cíclica. Isso quer dizer que, quando o mercado de trabalho fica aquecido, a rotatividade também tende a aumentar, porque ocorre uma abertura maior de vagas de trabalho e, consequentemente, mais admissões. O resultado disso é que o trabalhador consegue trocar de emprego com mais facilidade. Em 12 meses, até novembro, a taxa de rotatividade medida pela Tendências Consultoria Integrada ficou próxima de 5,1. A taxa está estagnada nesse patamar desde abril, o que sinaliza que o pior momento do mercado de trabalho deve ter ficado para trás. (Fonte: Gazeta do Povo) |
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A análise detalhada dos desligamentos por setor mostra que serviços (24,2%) e comércio (22,3%) foram os setores que registraram maior porcentual de demissão espontânea. Na sequência, ficaram indústria (19,9%), agropecuária (18,9%) e construção civil (10,1%).